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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

UMA/DUAS – ELIANE BRUM

Há livros que chegam a esta locadora pelas mãos dos associados, sugestões que eles alcançam nas páginas das revistas entre os mais vendidos, são aqueles famosos, os que estão entre os dez mais vendidos, os dez mais lidos, enfim, não foi o caso deste livro.
Sim, ele veio pela mão de um associado, mas foi um presente, ele mesmo não sabia se “prestava” para ser lido pelos outros, mas tinha certeza absoluta que eu iria gostar. E é engraçado, ele nunca erra.
Desde o início foi como um soco no estômago, uma bofetada, e era uma história de mãe e filha. Histórias com este tema tendem sim a certa oposição entre as duas, mas lá pelas tantas, e até onde sou leitora as pendengas se acertam, e a impressão que dá é que para o melhor ou para o pior venceu a maternidade. Não em UMA DUAS. Não neste livro.
Laura e Maria Lúcia, filha e mãe.
Pelas mãos de ambas vamos sufocando nesta relação de amor e ódio que ao mesmo tempo as une e as afasta. Quaisquer palavras que eu queira dizer aqui para dar minimamente a ideia do texto,  é fraca demais. Pequena demais. Há que se ter coragem para lê-lo. Há que se ter mais coragem ainda ao nos depararmos aqui e ali com o mesmo desconforto sentido por ambas, e que até aqui, nem ao menos sabíamos que também fazia parte do nosso universo.
A partir de um telefonema da vizinha pedindo a Laura que vá ao apartamento da mãe, que já não atende à porta ou ao telefone há dias, vamos com Laura e Maria Lúcia em queda livre rasgar a dor que permeia cada uma das narrativas que se entrelaçam para chegarmos a um final que nos acompanhará mesmo depois de outros vinte livros lidos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A GÁRGULA – Andrew Davidson



Há romances que são lançados, mas creio que poucas pessoas tomam conhecimento, e eles desaparecem das prateleiras, e infelizmente um livro maravilhosos passa e quase ninguém fica sabendo sobre ele. E este foi, para mim, o caso do livro citado acima. Nunca ouvi ninguém comentando sobre ele, o que é uma grande pena.
A história gira em torno de um homem que durante a maior parte de sua vida preocupou-se apenas em satisfazer seus próprios prazeres. A natureza fez dele um homem bonito e sedutor, mas para ele a aparência serve apenas para atender à sua própria demanda por sexo, por drogas e por tudo aquilo que preencha o enorme vazio que é a sua vida, até que numa sexta-feira, ao voltar mais uma vez bêbado e drogado de uma noite na esbórnia, perde a direção de seu carro, e como ele mesmo nos diz: “Os acidentes ocorrem, muitas vezes violentos, como o amor.”
Esta é a primeira frase do livro e o começo da história de nosso personagem, que depois de ter sobrevivido ao acidente, onde tem muito de seu corpo queimado passando então a sofrer “as torturas dos condenados, transformado numa figura grotesca, digna de pena.”
Passa a viver então no hospital onde foi socorrido., e tudo o que espera é que haja um momento de poder sair dali, ainda que nem saiba de verdade para onde, e possa então acabar com o que restou de seu corpo. E é então que aparece Marianne Engel, uma artista  plástica cuja especialidade  são as esculturas de gárgulas. Ela vive na ala psiquiátrica do hospital e que diz conhecê-lo de outras vidas.  Conta para ele que foram amantes na Alemanha medieval, e que nesta época ele era um mercenário e ela uma escriba no mosteiro de Engelthal. Afirma que foi uma das primeiras tradutoras de “Inferno”, parte da obra de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”. Ela o informa que esta é a terceira vez que ele se queima de forma grave.
Ele a vê inicialmente apenas como uma louca que o distrai de suas muitas agonias, mas ela segue contando outras histórias, dizendo sobre um amor imortal entre os dois, e como uma Sherazade ela relembra para ele os lugares onde viveram até que a descrença deste homem começa a desmoronar, e ele percebe que não dá mais para fingir que as histórias não o atingem, tornando o que antes parecia impossível, difícil de ser ignorado. Ela o faz desejar tempo para saber até aonde vai a verdade do que diz.
Este foi o primeiro livro do autor, Andrew Davidson, fruto de sete anos de pesquisa, e ele consegue associar lugares tão completamente diferentes em tempo e espaço, com uma narrativa emocional sobre os muitos infernos dantescos existentes na história da humanidade.
Se você gosta de romances profundos, bem escritos, e que o pegarão desde a primeira linha, não pode deixar de procurar por este livro.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cinquenta Tons de Cinza... de novo...

Quando postei um comentário sobre o livro estava começando a lê-lo, agora, já quase no final, e depois de conversar um tanto com a minha amiga Deborah, ela me remeteu à História de Ó, disse-me que a autora pareceu criar seu livro meio que com base neste clássico da Literatura Erótica. A partir dali, recomecei a leitura tentando lembrar-me do livro. Escrito  por Anne Decloss, sob o pseudônimo de Pauline Reage, conta a história de uma fotógrafa de moda que decide entregar-se, sem reservas a seu amante, que a conduz a Roissy, um castelo isolado onde outras mulheres, como ela também aprendem a submeter-se. Lá, Ó é treinada para ser a mulher que seu homem deseja. Lá, ela é chicoteada, amarrada e aprende a estar disponível para seu amante, sempre segundo a vontade dele, mas  durante todo o tempo é como se ela soubesse que ainda detém um enorme poder sobre ele. Após o treinamento, seu amante a “empresta” a um outro dominador, Sir Stephen, ainda mais cruel que seu amante,e acaba por apaixonar-se por ele, tornando-se então completamente submissa aos seus desejos.
Mas retornando aos CINQUENTA TONS DE CINZA  , encontramos um dominador muitíssimo jovem, milionário, Christian Grey, que resolve fazer de nossa heroína uma submissa. O romance não é de todo ruim, mas eu, particularmente, não consigo pensar num dominador tão jovem, sabe-se lá porque, imagino que um dominador deveria ser mais maduro. A heroína é virgem, seu primeiro contato sexual é com o jovem Christian, tendo sido ele mesmo iniciado sexualmente como um submisso por uma mulher mais velha. Há alguns argumentos meio descosturados: ele é adotivo, mas lá pelas tantas, ao conhecer a família do moço, Anastasia diz que ele se parece com o pai, ele é fechado como uma ostra, e atribui essa introspecção ao fato de ter sido maltratado enquanto era criança, mas a família parece adorá-lo, tem irmãos que também o amam, enfim, o rapaz me passa uma impressão engraçada de “rebelde sem causa”, e muito bem sucedido.
Este volume já está no final, ainda faltarão mais dois, um deles saindo agora em 12 de setembro: CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS, e eu me pergunto aonde isso vai dar? Não é um mal livro, não deve ser, afinal está em primeiro lugar  em todas as listas de mais vendidos, mas ainda não me convenceu.
Eu, particularmente acho que estas relações não são feitas por contratos, como ele pretende.  As relações de submissão acontecem, o movimento chega sem que possamos dominá-lo, quando damos por nós, a história já está acontecendo e já estamos enredados nesta teia.


Bem, seguirei lendo e pediria às pessoas que o lerem que me ajudem, que dêem sua opinião,sobre para ver se estou pedindo muito.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dizendo um pouco sobre livros


Vez em quando, um livro retorna à Locadora e percebo que ele esteve fora por muito tempo. E quem me conhece sabe como eu sinto saudade de livro daí, quando percebo lá estou eu, relendo trechos, lembrando da história. Algumas vezes o levo para casa e começo de verdade a relê-lo, mas atualmente isto não é muito fácil, afinal, à minha direita há sempre pelo menos mais uns 20 novinhos em folha precisando, urgentemente, da minha atenção e aí vem a culpa, releio o livro rapidamente, ou fico apenas com alguns trechos dos quais gostei mais. Hoje, depois de muito tempo, uns meses, penso, eis que retornou “A Descoberta do Mundo” de Clarice Lispector.
Fiz o que fazemos sempre, passei álcool na capa para guardá-lo, mas não resisti, e lá fui eu: li uma crônica, outra, e já estava quase querendo carregá-lo comigo quando encontrei uma bem pequenininha... linda demais, e resolvi então colocá-la aqui para que você, alguém a leia comigo.
ENIGMA
            Ela estava vestida de uniforme listrado de empregada, mas falava como dona-de-casa. Viu-me subir as escadas cheia de embrulhos e parando para sentar nos degraus – os dois elevadores estavam enguiçados. Ela morava no quinto andar, eu no sétimo. Subiu comigo segurando alguns dos meus embrulhos numa das mãos, e na outra o leite que comprara. Quando chegou ao quinto andar, botou o leite em casa dela entrando pela porta de serviço, depois fez questão de segurar meus embrulhos e de subir comigo até o sétimo.
Que mistério era esse: falava como dona-de-casa, seu rosto era o de dona-de-casa, e no entanto estava uniformizada. Sabia do incêndio que eu sofrera, imaginava a dor que eu sentira, e disse: mais vale a pena sentir dor do que não sentir nada.
- tem pessoas – acrescentou – que nunca ficam nem deprimidas, e não sabem o que perdem.
            Explicou-me, logo a mim, que a depressão ensina muito.
E - juro – acrescentou o seguinte: “A vida tem que ter um aguilhão, senão a pessoa não vive.” E ela usou a palavra aguilhão, de que eu gosto. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

CINQUENTA TONS DE CINZA


O livro sobre o qual as pessoas vêm comentando atualmente , cuja autora é  E.L. James tem um nome curioso:  Cinquenta Tons de Cinza.,  e é o primeiro volume de uma trilogia.
Ele começa quando a estudante de Literatura Anastasia Steele vai prestar um favor a sua melhor amiga que se encontra adoentada, e vai entrevistar um jovem bilionário Christian Grey. E é então que ela se depara com um homem diferente de todos outros que conhecera anteriormente. Ele é um belo homem, é brilhante e imediatamente ela vê nele um dominador, alguém acostumado a ter todas as suas ordens imediatamente atendidas. Anastasia é jovem, e mesmo a contragosto fica encantada com o tipo. Ele, misterioso e enigmático, sente-se atraído também por sua beleza e por seu espírito independente. Sua amiga Kate, a quem Ana foi prestar o favor de entrevistá-lo a avisa que se afaste dele, que na verdade ele representa perigo para ela, mas é tarde demais; Anastasia já está seduzida por Christian e ele também a deseja, mas em seus próprios termos. As diferenças entre eles vão além da diferença econômica ou de classe social, e Christian apresenta a ela uma lista de exigências para ficarem juntos que vai muito além do convencional, mas parece que já é tarde, Ana aceita o desafio de descobrir sobre seus desejos mais íntimos, mas descobrirá também sobre o lado obscuro da personalidade do homem que deseja.
Comecei ontem este primeiro livro, e sigo curiosa a respeito. E você? Já o leu? Que tal conversarmos sobre isso?
Fica a sugestão.